Me permiti lamentar.


Me permiti lamentar. Por tudo que fomos. Por tudo que quase fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por não termos conseguido. Me permiti liberar todo aquele amontoado de sentimentos que estava invadindo minhas lembranças e entristecendo meu coração, me lembrando de tudo o que não chegou acontecer. Me permiti por tudo o que perdemos, por termos nos perdido. Por todos os planos que não aconteceram, por todos os sonhos que não vivemos. 

Me permiti por tudo o que que queríamos que fosse e infelizmente por culpa nossa ou do destino, não foi. Me permiti lamentar pela desistência, pela renúncia. Pelos sentimentos não valorizados. Pelas tentativas em vão. Pelos erros cometidos e por nossos acertos não comemorados. Por todas as palavras dissipadas, ditas ao vento. Por todos os versos, os desabafos em branco que nunca foram ditos. Me permiti lamentar por todas nossas tentativas desperdiçadas, por todo amor mal recebido, por todo amor mal dado. 

Me permiti por todas as ofensas e por todos os arrependimentos. Pelo amor, pelo respeito e pelo carinho perdidos empoeirados em algum cantinho da estante. Pela afeição, pela ternura esquecidas junto as fotos e memórias envelhecidas. Por nossos anseios, por nossos devaneios, por nossos ideais que foram adiados, perdidos, esquecidos. Pela sua falta. Pela minha falta. Por nossa falta, nossa culpa, nosso erro. Por tudo o que foi e ficou, não voltou, e não voltará. E porque por mais que todo esse passado doa, hoje é um novo dia, um outro dia e todas essas lamentações passadas não fazem mais parte dele. Passado no passado. Agora é em frente. (Escrito por Bárbara Flores)

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